Cardeal Parolin sobre migração: antes de tudo, salvar as pessoas
Alessandro Di Bussolo – Vatican News
Depois do apelo de domingo (5), no Angelus, para que “as viagens de esperança não se transformem mais em viagens de morte”, o Papa Francisco voltou a pedir “acolhimento e solidariedade” aos migrantes e o fez na mensagem enviada para a abertura do curso de formação “Cátedra do Acolhimento” em Sacrofano, no interior de Roma. O Papa, no texto assinado pelo secretário de Estado, Pietro Parolin, que o leu no primeiro dia do encontro promovido pela Associação Fraterna Domus, que começou nesta segunda-feira (6), pediu “um compromisso renovado para fomentar o espírito do acolhimento e da solidariedade, promovendo a paz e a fraternidade entre os povos”. Francisco, além disso, encorajou “a considerar a presença de tantos irmãos e irmãs migrantes como uma oportunidade de crescimento humano, de encontro e de diálogo entre culturas e religiões”.
Levando em conta as diretrizes da Igreja
Antes do seu discurso, o cardeal Parolin, motivado pelos jornalistas, refletiu sobre o terrível “drama” do naufrágio de Cutro, na Calábria, que custou a vida de pelo menos 71 pessoas, “o que abalou todos e é também um chamado a repensar as políticas de acolhimento. Eu acredito”, disse ele, “que a Igreja ofereceu toda uma série de princípios e de diretrizes que deveriam ser levados em conta precisamente para repensar essas políticas”.
Uma atitude mais positiva em relação à migração
O ponto mais importante para evitar mais massacres de migrantes nas “viagens da esperança”, segundo o secretário de Estado, “é a regularização dos fluxos, para que a migração seja segura”. E em relação ao fenômeno, para Parolin “deve haver acima de tudo uma atitude mais positiva, já que infelizmente somos dominados pelo medo”. O que é necessário, segundo o cardeal, é “um acolhimento que leve em conta a situação de onde essas pessoas vêm e da situação em que nos encontramos”.
Antes de tudo, salvar as pessoas, mesmo no mar
E sobre o apelo do Papa no Angelus de domingo (5) para deter os “traficantes de seres humanos”, como os contrabandistas de pessoas sem escrúpulos, Parolin se associou à condenação dos “que especulam sobre isso e daqueles que lucram com isso” e invocou, além de outras medidas, “a de pôr um fim a esses que lucram com a vida humana”. O secretário de Estado, então, não entrou no mérito das novas regras solicitadas pela Itália às ONGs que tratam do resgate de migrantes no mar, mas salientou que, para a Santa Sé, “vale sempre o princípio que, antes de tudo, se trata de salvar as pessoas, não deixando que vidas humanas sejam destruídas”, como aconteceu ao largo da costa de Crotone.
O medo é o grande inimigo do acolhimento
Em suas palavras de boas-vindas, o cardeal Parolin lembrou novamente a tragédia de 26 de fevereiro ao largo da costa de Cutro, na Calábria, uma desgraça, disse ele, que é “um aviso para nossas consciências e não pode nos deixar indiferentes ou bloqueados pelo medo”. Que é, reiterou, o “grande inimigo do acolhimento” porque, alimentado pela opinião pública, “vem condicionar as escolhas políticas dos governos e das instituições”. E ele disse esperar que a ‘Cátedra do Acolhimento’ ajude a desmontar o sentimento de medo, “destacando seus sérios riscos, se não for superado por um novo compromisso e uma nova responsabilidade em encontrar formas concretas de disponibilidade”, e a acionar “mecanismos de informação e treinamento capazes de forjar novas tendências dentro da opinião pública”.
A pesquisa acadêmica pode “nos dar conta” sobre ser acolhedor
A disciplina, para o secretário de Estado do Vaticano, pode contribuir para “estruturar caminhos de formação capazes de responder à necessidade urgente de cuidado e sensibilidade em relação ao outro, encontrando na fé e na oração um campo de ação privilegiado”. Porque “o acolhimento certamente não pode ser ensinado na escola, mas é útil que a pesquisa acadêmica possa ‘nos dar conta’ de sermos acolhedores”. De fato, a nova “aventura cultural e acadêmica” visa “contribuir para acrescentar a dimensão ‘iluminada’ pela razão a uma atividade e comportamento de solidariedade sugerida pelo coração, pela fé e pelo sentimento de fraternidade universal”.
Todo homem tem direito a uma vida digna, onde quer que esteja
Uma fraternidade universal que, para Parolin, é “o fundamento profundo do acolhimento, hoje mais do que nunca indispensável para a construção de um mundo reconciliado, no qual o direito a uma vida livre e digna seja assegurado a todo ser humano”, onde quer que esteja, “especialmente se em seu próprio país isso não for possível ou se for perseguido lá”. Assim, mesmo “a partilha de bens e recursos pode certamente fomentar uma atitude de acolhimento por parte dos povos que vivem no chamado mundo desenvolvido”. E “o cuidado com cada ser humano fomentará, então, esse diálogo entre os povos que é hoje urgentemente necessário”.

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